A Resiliência Não É Cor De Rosa

Eu tenho ouvido falar muito sobre resiliência. Acredito que você também. E sabe, vou confessar que me impressiona que muitas vezes o conceito esteja, digamos, distorcido.

Normalmente, usa-se mais o termo físico para conceituar resiliência. Outros ainda utilizam o termo mais relacionado à “má sorte” ou mudanças inesperadas.

re⋅si⋅li⋅ên⋅cia

substantivo feminino
 1. [fís.] propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica.
2. [fig.] capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

 

Perfeito. Todos nós já sofremos alguma decepção, já caímos um tombo, não é mesmo? E o quanto estivermos prontos para ressignificar e levantar mostrará o quão resilientes nós somos.

Mas me permita te contar um segredo:

a resiliência não é cor de rosa

Esse processo não acontece automaticamente, nem simplesmente quando a gente quer. Ser resiliente requer prática, requer tanto exercício quanto condição emocional para tal.

Muitas vezes não nos parece uma boa pagar o preço. Com o ego ferido, muitas vezes pensamos, lá no íntimo (quem nunca?) em uma pequena resposta do universo a quem ou ao que nos prejudicou. Afinal, fomos prejudicados, não é memo?

A questão é que desapegar da dor é a parte mais difícil da resiliência. É o primeiro passo. Muitas pessoas que eu conheço, e sei que você também, preferem “curtir” a dor, a decepção, o tombo. Você pode me perguntar o porquê e as razões podem ser muitas, desde o medo de avançar até à vontade de voltar à zona de conforto.

Acredito que a resiliência não é um ato mas uma filosofia. Se tomarmos dessa forma, talvez ela seja um caminho mais tranquilo de trilhar, principalmente quando necessário.

Assim, me permita algumas considerações de como exercitar a resiliência diariamente:

1) Desapegue, de verdade, de tudo o que não te faz bem. Sentimentos, coisas, atitudes. Estar livre e pronto para ir em frente é um bom “primeiro passo”

2) Entenda, ou não, as razões pelas quais aconteceram determinadas coisas com você. E deixe ir embora. Consciência é ótimo, mas pensar demais nisso pode te deixar mais triste.

3) Ressignifique.

Sempre há um aprendizado em tudo o que nos acontece, bom ou ruim. Uma boa pergunta pode ser: o que aprendi com isso?

4) Agradeça. A tudo. Ao que te aconteceu. A quem não foi assim tão bacana com você. À situação. O agradecimento é também a chave de ouro para passar de vez por uma situação desafiadora.

5) Vá adiante e repita o procedimento quando necessário. Entender que a vida é feita de desafios, ora pequenos, ora grandes, nos ajuda a entender que estes mesmos desafios nos ajudam a crescer e ter mais habilidade com os próximos que certamente virão.

Kintsukuroi

Há uma técnica japonesa chamada Kintsukuroi, que consiste em consertar com ouro e laca uma peça quebrada, tornando-a ainda mais especial. Interessante que o que a torna única é justamente a sua cicatriz. A resiliência é o nosso Kintsukuroi. Nossas cicatrizes são a prova de que passamos, mais uma vez, pelo desafio.

A coragem de ser resiliente nos torna ainda mais inteiros, mais valiosos, mais especiais.

 

*Publicado originalmente no site www.jogodedamas.me