O Inverno, O Recolhimento E A Hora De Desapegar – As Lições De Marie Kondo

inverno no Sul é normalmente bastante frio. Uns mais, outros menos, é verdade, mas o frio e aquela garoinha gelada são sempre um convite a ficarmos, sozinhos ou em uma boa companhia, aproveitando o conforto da nossa casa.

O tempo mais frio é um momento de reflexão, para mim, ao menos. E como muitas vezes ficamos mais em casa, naturalmente prestamos mais atenção nela.

No início do ano, chegou às minhas mãos o livro de Marie KondoMágica da Arrumação (Ed Sextante). Um livro pequeno, cara de inocente. Mas se você estiver disposto a colocar o método em prática, prepare-se: a filosofia do KonMari (método desenvolvido pela autora) é simples, mas transformadora. Consiste não apenas no descarte do que não utilizamos há muito tempo, mas no descarte de coisas que não nos fazem felizes.

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Isso mesmo. Marie Kondo faz um convite muito maior do que manter uma casa organizada. Segundo ela, se você se cercar de objetos que tragam felicidade, sua casa terá uma energia mais leve e você também será mais feliz.

O que a autora sugere é uma verdadeira revolução, seja na vida de quem é mais prático, ou de quem gosta de procrastinar a organização de pilhas de papéis, roupas, documentos e objetos. A ideia é reunir todos os objetos de uma categoria – todos mesmo – e avaliar um por um se ele ainda tem utilidade ou traz felicidade para sua vida. Caso a resposta seja: não, o objeto em questão não me traz mais felicidade, o ideal é direcioná-lo para doação ou descarte. (Para as mais tecnológicas, existe um aplicativo para iPhone que facilita tudo.)

A minha experiência com o método KonMari

Estou no meio processo, ainda não apliquei o método KonMari em todas as categorias. Mas me permiti fazer aos poucos, para fazer alguns movimentos mais definitivos. As roupas, que achei que seriam a parte mais complicada, foram na verdade a mais fácil até agora. Reduzi cerca de 40% de roupas e calçados que tinha no armário, e já acredito que posso refinar meu descarte em breve novamente. As peças que ficaram são as que combinam mais comigo agora e me trazem algum benefício, seja de utilidade ou felicidade.

Apesar de parecer um tanto radical, à primeira vista, podemos também fazer o nosso filtro e trazer para nossa realidade o que importa. Obviamente, a maior dificuldade para uns, não será a mesma para outros. A minha, no momento, está sendo olhar de forma objetiva para livros e apostilas de cursos que fiz ao longo dos anos, uma vez que para mim todos têm um significado. De qualquer forma, estou me permitindo tempo para fazer aos poucos, já que nesta categoria pretendo reduzir a quantidade de materiais em 50% a 60%.

Em resumo, o livro vale a leitura. Faz um convite a rever nossas escolhas, pensar em formas de consumo mais consciente e talvez até a forma como nos distraímos através das coisas que guardamos. Cabem, durante a leitura, algumas reflexões: e se guardarmos conosco só o suficiente, o que faremos com o espaço? Se nossa casa estiver sempre organizada, o que faremos com o tempo livre? Organizar um armário sempre nos ajuda a organizar a cabeça também.

E se você, disposto a fazer essa arrumação toda, se der conta de que vai revolucionar toda a sua vida?

 

*publicado originalmente no site www.jogodedamas.me