O Outono, A Crise E O Tempo Das Coisas

O outono sempre foi minha estação preferida. A forma como as folhas vão alaranjando, secando, caindo, para mais tarde dar espaço às novas folhas na primavera. 

outono

A natureza nos ensina o tempo todo a olhar para os ciclos da vida, a ter a paciência de entender o tempo das coisas… Até porque elas estão fora da nossa alçada! 

Osho, o filósofo e líder religioso, diz que a aceitação é um dos pilares da ressignificação. Segundo ele, ressignificar é retirar o afeto da situação, para olhá-la com mais clareza. 

A mente sem aceitação não aceita nada. Mas, se conseguir aceitar a sua solidão, a sua depressão, a sua confusão, a sua tristeza, você já estará transcendendo. Aceitação é transcendência. 

– Osho

Assim, cabe a nós ao menos ressignificar aquilo que não podemos mudar. Até porque temos como mudar várias coisas que estão ao nosso alcance. A crise, por exemplo, em um sentido mais amplo, pode não estar na nossa alçada, mas podemos tomar atitudes em nosso dia a dia, que com criatividade e novos posicionamentos podem mudar nossa forma de ver – e sobreviver – neste cenário desafiador. 

Que tal pensar em formas de desafiar este contexto? Reclamar é um caminho mais simples, mais fácil até, mas não te leva a lugar nenhum. Aliás, pode levar sim, mais para baixo do que você está. 

Csíkszentmihályi Mihály, psicólogo húngaro, traz em sua teoria o conceito de flow, estado em que nos encontramos tão imersos em uma atividade que perdemos a noção de tempo, de tal forma que nada mais importa. Isso nos faz pensar em como pode ser produtivo nos permitirmos entender o ritmo de cada situação. 

A crise passa, as folhas caem, nossa vida segue. O quanto nos permitimos entender estes ciclos? 

Verdade seja dita, queremos tudo a tempo e a hora, de preferência o mais rápido possível. A vida não pára, dizemos. Claro que viver com intensidade é importante, mas quantas vezes você já se pegou lembrando como foi bom pensar um pouco mais sobre um texto que estava escrevendo? Como foi melhor ter aquela conversa difícil no dia seguinte a um conflito, e não no calor do momento? Talvez a busca desenfreada pelo prazer e felicidade em que a nossa sociedade está inserida seja justamente a causa de estarmos míopes para perceber que o tempo das coisas é que pode, quem sabe, trazer essa felicidade. A seu tempo. 

Mihály diz que ficamos mais felizes quando entramos em estado de flow. Talvez o aprendizado seja justamente focar mais no que é importante para nós, e estarmos presentes 100% em tudo o que fizermos. Aí, tempo é o que menos importa. Quem sabe não é isso que a natureza tenta nos ensinar o tempo todo? 

 

*Publicado originalmente no site www.jogodedamas.me