Recentemente, uma empresária destruiu uma obra (que era sua) de um famoso artista em sua frente, em um evento, gerando constrangimento e repercussão internacional. O motivo era simples: o artista não tinha tratado bem a sua equipe quando no estabelecimento da empresária.


Várias foram as reações, mas basicamente uma me chama a atenção: “chovem” textos na internet festejando a reação da empresária, trazendo como um exemplo de liderança que protege a equipe. Há quem a tenha chamado de heroína.


Pois bem, confesso sentir um tremendo desconforto ao ler estes textos, que mais me parecem um “alívio” diante do estouro de sentimentos do outro. Não questiono aqui o quão o tal artista tenha sido mal educado, ríspido com a equipe. Mas será que devolver na mesma moeda é mesmo necessário?

Não acredito ser este o caminho, de verdade. Posso ter um olhar utópico, ingênuo até, mas não consigo ver o “olho por olho” como uma prática em que alguém ganhe. Todos perdemos. Perde o artista, que você até pode me dizer que “mereceu”, mas que foi humilhado de forma global. Lembre que estamos em tempos digitais. Perde a empresária, sim, em algum nível, uma vez que permite que sua sombra, ainda que motivada por um sentimento nobre de proteção e defesa, tome conta das suas atitudes. Por fim, perde a equipe, que protegida por sua líder, perde a força e fica vulnerável e facilmente manipulável daqui pra frente, ainda que tenha se sentido “vingada” pelo ocorrido.

“Olho por olho e o mundo acabará cego” (Gandhi)

Pensemos como líderes, empresários, profissionais, influenciadores: nossas atitudes sempre autorizam atitudes de ouros. O tom de uma reunião, por exemplo, pode ser dado a partir de quem tem mais influência, em tom de voz, em palavras, em atitudes. Temos que perceber o tamanho da nossa responsabilidade em tudo o que fazemos.

É claro, você pode discordar de mim. Não precisamos concordar em tudo e ainda assim, respeitamos um ao outro. Mas pense comigo se nossa sociedade não seria mais respeitosa se alguns governantes não estivessem autorizando reações como estas, uma vez que são exemplos para muitos?
Talvez precisemos de situações como esta para perceber que este não é o único caminho. Talvez percebamos que este não é o caminho. Eu acredito nessa mudança, e espero que seja em breve.

Lisi

Lisiane Szeckir trabalha com desenvolvimento comportamental há 23 anos, já acumulou mais de 18mil horas em palestras, aulas e treinamentos e é a idealizadora do Conversas que Revolucionam, e do programa A Revolução Amorosa: Mais Leveza, Mais Escolhas Conscientes. Como trainer da The Inner Game School, traz ao Rio Grande do Sul o workshop The Inner Game Essentials, by Tim Gallwey. É também diretora da Líbera Treinamentos, onde trabalha com programas voltados para formação de líderes, padrões de atendimento e desenvolvimento de equipes.

(www.lisianeszeckir.com.br)