Vale a pena o resultado a qualquer custo?

 

Recentemente, um vídeo mostrando uma corredora japonesa andando de joelhos no final de uma prova de revezamento em Fukuoka emocionou e viralizou, com vários compartilhamentos mostrando sua dedicação à equipe e persistência. Rei Lida, a japonesa, quebrou o pé durante a prova e a continuou, de joelhos, para que a equipe seguisse competindo. 

É realmente inegável a sua dedicação, persistência, e emociona mesmo, em um mundo onde cada empresa busca encontrar novas formas de engajamento e espírito de equipe. Mas peço a você que reflita junto comigo, além do que está sendo visto: ali, há um ser humano acima do seu limite. E isso pode custar caro. 

Veja, não sou contra a superação, pelo contrário. Trabalhando há mais de 20 anos com desenvolvimento, posso dizer que já acompanhei histórias incríveis neste sentido. O que chamo a atenção, porém, é a importância de olhar para si. O que será que motivou a japonesa a um ato tão extremo? Quantos traços da cultura estão ali, sobrepondo-se à capacidade física? E nós, quantas vezes “esticamos o elástico” em prol de um resultado, deixando de lado coisas importantes, como a saúde? 

Ainda estamos sob o efeito dos últimos 30 anos, onde “separar a vida pessoal da profissional” era uma competência, onde vários consultores e profissionais bradavam que “o sucesso acontece quando todos estão dormindo” e coisas do gênero. Frases de efeito que geraram uma necessidade quase doentia de sucesso a qualquer custo. Faz sentido, considerando aspectos econômicos e sociais deste período. E faz sentido também que nunca estivemos tão doentes. 

Alessandra Assad, em seu livro Liderança Tóxica, cita que 160 milhões de pessoas são afastadas por ano do trabalho por causa de doenças. Além disso, estima-se que cerca de 3,5% do PIB nacional seja gasto com doenças psicossomáticas no país. Empresas criam espaços para cuidar de quem está adoentado, e afastamento por questões de saúde física e mental são cada vez mais frequentes. 

Penso que está na hora de considerarmos de verdade a questão do equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Um profissional que contempla cuidados com sua carreira e sua saúde, assim como sua vida pessoal, produz mais e melhor, gerando engajamento e sustentabilidade. Não se trata apenas de resultados, mas resultados sustentáveis para todos. 

Neste momento em que a maioria das corporações planeja o próximo ano, vale a reflexão do custo x benefício de uma cultura voltada para cuidar de verdade da equipe. Ações de desenvolvimento e atenção a detalhes do dia a dia, desde um espaço confortável para o trabalho até pausas durante a jornada. Momentos de feedback construtivo e mais olho no olho. Um resultado mais amplo e sustentável certamente gera um engajamento genuíno. Vamos juntos? 

Para quem ainda não viu o vídeo, segue o link para assistir e refletir: 

https://youtu.be/rU4fzo1CwlI