Venha para a resistência!

Eu acredito no trabalho enquanto força geradora de desenvolvimento e acredito ainda mais no trabalho como exercício da nossa dignidade. Entendo que somos inteiros e precisamos trabalhar inteiros, um conceito que trago há 21 anos e agora começa a tomar mais corpo. Não existe, nem nunca existiu, na minha opinião, esta história de desligar uma parte de si no trabalho.

Toda atividade que tira um pedaço de nós não pode fazer bem.

Felizmente os movimentos sociais, políticos e econômicos quase insanos em que estamos inseridos nos trouxeram algo muito positivo: uma maior reflexão sobre o que queremos, o que amamos fazer e se isso está inserido em nosso propósito ou nossa missão de vida. Ora, claro que muitos de nós ficamos confusos, uma vez que nem sempre somos convidados a pensar sobre isso. E não, não é problema algum se até agora todas as coisas que você já fez não tem a ver com o que você gostaria de verdade de trabalhar. Pode acreditar, tudo será útil em algum momento.

Veja: conhecendo mais sobre você e pensando no que você ama fazer, você se apropria de uma força que sempre teve. Nem todo mundo sabe lidar com essa força, nem todo mundo a reconhece. Mas ela é sua. E só observar quando, empoderados por qualquer outro motivo, vários profissionais atingem níveis de sucesso razoáveis, apenas usando essa força. Observando mais atentamente, você saberá com qual propósito irá sintonizar.

Claro, não é tão simples nem tão romântico assim. Como profissional, me incomoda de alguma forma a criação de referências profissionais a partir de pessoas que tomam para si frases de Sócrates como se fossem suas. E quem lê cada vez menos, entende esse como um gênio, porque certamente faz sentido na oratória bem desenhada, um conteúdo disponível a nós há muito tempo.

Precisamos falar sobre diferenciação, aquela de verdade. Muitos falam de brilho no olho, poucos o tem. E cada vez mais anestesiados, podemos nos deixar levar por um discurso bonito, mas que não é coerente. Precisamos mesmo olhar mais pra nós, pra que possamos nos reconhecer nos outros. O outro sempre mostra um pedaço de quem somos, então não adianta reclamar de péssimos profissionais à sua volta, ou fornecedores. Ou políticos. Todos são espelhos, em algum nível.

Desistir, porém, não é uma opção. Resistir, é. Fazer parte da resistência é ler cada vez mais e dar nome às referências, honrar quem você leu. É elogiar o trabalho do seu concorrente, ao invés de copiá-lo. É concorrer consigo mesmo para ser o melhor que puder. Fazer parte da resistência é honrar o trabalho que você faz, mesmo que ele não seja aquele dos seus sonhos, porque certamente é um degrau da sua escada e cabe a você escolher se quer fazê-lo de concreto ou de areia. Consistência leva tempo, dedicação e amor de forma integral.

Fazer parte da resistência é fazer suas escolhas pessoais e profissionais de forma integra, coerente e transparente. Esse será (e já é) o idioma que faz cada vez mais sentido. Vamos juntos?